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6 de maio de 2009



Uma Obra Prima Criada Pelo Brega Psicodélico, Odair José





Odair José é ,antes de tudo,um injustiçado,todos ouvem Roberto Carlos e se acham cult,mas falar no nome do Odair é ser automaticamente bombardeado com piadinhas e a indefectível canção "Pare de tomar a pílula" sendo cantarolada.Nascido no interior de Goiás, desde cedo se interessou por música e na adolescência formou uma dupla caipira com um amigo. Mudou-se para o Rio de Janeiro com 18 anos, onde trabalhou como cantor de boates suburbanas e circos, guitarrista de inferninhos na Lapa. No início da década de 70 começou a compor músicas baseadas no que observava na realidade dos inferninhos, bordéis e boates.Eu penso que há uma relação forte entre a música de Odair e os filmes da Boca do Lixo de são Paulo, ambos relegados à um nicho de pessoas que curtem filmes obscuros(a maioria curte também filmes de terror raros) Seu primeiro compacto, "Eu Vou Tirar Você Deste Lugar", falava de um homem apaixonado por uma prostituta, e tornou-se um de seus grandes sucessos. Logo, Odair José se transformou no maior ídolo da música brega, vendendo milhões de discos e emplacando hits como "Pare de Tomar a Pílula", (já antes citada)proibida pela censura. Em 1977 surpreendeu ao criar uma "ópera-rock", "O Filho de José e Maria", que é o disco que será comentado faixa à faixa.


O disco ficou conhecido como uma ópera-rock, ou também como o álbum progressivo de Odair José.

Minhas impressões(nada muito elaborado, fui escrevendo enquanto ouvia novamente)

1. Nuca mais

Nunca mais começa como uma trilha blacksploitation,uma letra que diz que ele aprendeu as coisas boas da vida, que o passado não o assusta.Um groove muito bom.


2. Não me venda grilos (por direito)

um samba grooveado,com uma letra romântica, com a sacada: "não me venda grilos, viver já pesa muitos quilos", um solo de gaita muito boa.Como disse alguém em outro blog, realmente ele tinha uma fixação por mulheres e filhos.


3. Só pra mim, pra mais ninguém

um começo singelo, a voz num reverb louco,a letra, um pedido deseperado pra "seu bem" não abrir a porta pra ninguém,na letra ele expressa o medo de ser traído,eximindo a mulher de culpa, pois o perigo está por aí, basta uma troca de olhar.


4. É assim

me lembrou Raul Seixas(não sei porquê), a letra é muito boa,o vocal é gritado por vezes,novamente um groove, a letra é meio esotérica(ou exotérica?),tem um solo de guitarra com wha-wha.


5. Fora da realidade

a mixagem da bateria é ótima(eu achei),solinhos de guitarra pontuando a música,sempre o anjo aparecendo nas músicas, e dizendo pra ele "aturar" a sua amada.uma interpretação gritada e apaixonada.Um bom solo de guitarra(esse disco tem vários solos),é um hardrockzinho.


6. O casamento

a faixa mais ópera-rock do disco, com começo no piano,com sinos e sonorizações,"quem são essas pessoas sacristão?", uma atuação magnífica,a letra começa como um diálogo entre ele e o vigário.Muito bom.Parece contar a história de Jesus(parece?).A música vai num crescendo,acabando com os parabéns aos noivos.


7. O filho de José e Maria

Uma ótima abertura com um piano,a letra falando sobre josé e maria(jesus?)cantada num tom melancólico, um coral muito bonito de fundo.


8. O sonho terminou

um começo psicodélico, com letra falando da humanidade de todos nós, a música é a mais "rock" do disco, com um reverb na voz,se fosse em inglês tinha gente cultuando por aí,um solinho de sintetizador, a melhor música do disco, com certeza.


9. De volta às verdadeiras origens

destaque pro baixo grooveado, a letra é a mais popular do disco, tem até uma segunda voz meio sertaneja,e uma orquestração bem disco numas partes.


10. Que loucura

é uma disco music das boas, começando com guitarra típica e bateria idem.

Um disco pra ser colocado ao lado de Sgt.Peppers, Their Satanic Magic Request, the Green Village Preservation Society e Pet Sounds.

CIPRIANO SERAFIM
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